domingo, 18 de setembro de 2016

Acordos Climáticos

Bom dia, meu nome é Vicente Almeida e sou um novo membro deste Blog.

*

Acordos Climáticos Atuais

Brasil e seu papel nas Conferências Climáticas


No dia 12 de setembro de 2016, o Presidente brasileiro Michel Temer ratificou o Acordo de ParisIsso significa que o pacto firmado na reunião se tornou lei nacional. Esse acordo, com prazo de entrar em vigor em 2020, tem o objetivo de limitar o aumento da temperatura global para menos de 2°C acima de níveis pré-industriais e, posteriormente, limitá-la para 1,5°C, já que isso reduziria significativamente o risco e os impactos da mudança climática. 

O fato do Presidente ter ratificado esse acordo é muito relevante, uma vez que o Brasil é uma das nações que mais poluem no mundo. 


Já ocorreram várias conferências da ONU sobre o Meio Ambiente, incluindo:


  •  Conferência de Estocolmo (Suécia, 1972)
  •  Conferência de Toronto (Canadá, 1988)
  •  Conferência de Genebra (Suíça, 1990)
  •  Rio-92 (Rio de Janeiro, 1992)
  •  Conferência de Berlim (Alemanha, 1995)
  •  Conferência de Genebra (Suíça, 1996)
  •  Protocolo de Kyoto (Japão, 1997)
  •  Conferência em Buenos Aires (Argentina, 1998)
  •  Conferência de Bonn (Alemanha, 1999)
  •  Conferência de Haia (Holanda, 2000)
  •  Conferência em Bonn (Alemanha, 2001) e Marrakesh (Marrocos, 2001)
  •  Conferência de Nova Délhi (Índia, 2002)
  •  Conferência de Milão (Itália, 2003)
  •  Conferência de Buenos Aires (Argentina, 2004)
  •  Conferência de Montreal (Canadá, 2005)
  •  Conferência de Nairóbi (África, 2006)
  •  Conferência de Bali (Indonésia, 2007)
  •  Conferência de Poznan (Polônia, 2008)
  •  Conferência de Copenhague (Dinamarca, 2009)
  •  Conferência em Cancún (México, 2010)
  •  Conferência em Durban (África do Sul, 2011)
  •  Rio +20 (Rio de Janeiro, 2012)
  • Acordo de Paris (2015)
*

A maioria desses acordos climáticos não resultam em reduções muito significativas, uma vez que países considerados em desenvolvimento pela ONU não precisam cumprir as mesmas metas estabelecidas para os países desenvolvidos. Isso é uma falha grave, pois em geral países em desenvolvimento poluem bastante por não terem tecnologias que reduzem a liberação de gases poluentes, por exemplo. Isso faz com que a maioria dos países que assinam esses protocolos não reduzam significativamente suas emissões. Ao invés de permitir que esses países possam estar "além das metas" estabelecidas para os países desenvolvidos, a ONU deveria auxiliar esses países a se desenvolverem em meio a tais reduções.

É evidente que a ONU reconhece a dificuldade de países em desenvolvimento de seguirem essas metas, porém, é necessário. O mundo vem observando cada vez mais diversas devastações causadas pela poluição. Furacões, terremotos, tempestades, secas. Eventos como esses vêm sendo cada vez mais comuns. A seguir, encontra-se uma foto da devastação deixada pelo furacão Sandy, causado pelo aquecimento global:


*

As metas estabelecidas pelo Acordo de Paris são muito diferentes das políticas climáticas atuais dos países. O principal motivo disso é que "poluição gera dinheiro". Os países temem que, ao reduzirem as emissões de gases, diminua também o investimento estrangeiro. Embora isso seja sempre discutido, não se achou ainda uma solução para o problema. Atrair investimentos se torna mais difícil com leis ambientais mais rigorosas.

*

Outro problema desse Acordo é que, em momento algum, os líderes mundiais discutiram sobre como alarmar a sociedade dos efeitos da poluição. Embora um dos objetivos do Acordo de Paris seja fortalecer a habilidade da sociedade de lidar com os impactos da mudança climática, esse Acordo deveria ter como um dos focos principais tornar os cidadãos dos países que assinaram esse acordo mais conscientes a respeito da poluição, do aquecimento global e do efeito estufa.

Cientistas vêm tentando alertar a sociedade há anos, porém, sem muito efeito, por um motivo simples: não são treinados para chocar ou alarmar seus ouvintes. Os cientistas são treinados para descobrirem e reportarem os fatos. 

Al Gore, ex vice-presidente dos Estados Unidos, têm mais habilidade que um pesquisador para alarmar a população, especialmente por ser da área política. Embora não tenha o conhecimento de um cientista, é capaz de alertar e chocar a sociedade. O vídeo abaixo é de uma palestra do Al Gore que trata de mudanças climáticas:



*
Segundo especialistas, as metas estabelecidas para o Brasil serão fáceis de cumprir. Porém, de acordo com Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, "O nível de redução é insuficiente. É possível fazer muito mais".

Outro defeito do compromisso brasileiro com o Acordo de Paris está ligado ao desmatamento. O governo se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal até 2030, porém, segundo Rittl, "esse prazo é incompatível com a emergência climática". 

O desmatamento é um problema muito sério para o Brasil, e, de acordo com Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace, "É inaceitável que o país viva por 15 anos com ilegalidades na questão florestal. Não podemos basear nossas metas em cumprir a lei somente daqui a 15 anos".

*

O Acordo de Paris pode ter metas ambiciosas, mas de nada servem essas metas se os países que assinaram esse acordo não as cumprirem. Esse acordo vêm sendo elogiado desde o ano passado por diversos líderes globais, mas a questão que fica é: fará alguma diferença significativa no aquecimento global? Em meio ao "caos poluído" em que o mundo se encontra, esse acordo mudará alguma coisa? 

Planos e metas estabelecidas ficam muito legais na teoria e auxiliam os países que as formularam a terem mais crédito internacional. Mas executá-los é outra história. Num mundo em que as pessoas em geral jogam lixo no chão, com o pensamento de que "se só eu fizer, não vai fazer diferença", não reciclam seu lixo e não se importam com o meio ambiente, como esses planos podem funcionar? Sem o apoio da população, nenhum plano político consegue ser executado. Todos esses tratados, pactos e conferências deveriam se preocupar mais em alertar os cidadãos para o que vem acontecendo com o nosso mundo. Em alguns anos, várias cidades na costa dos Estados Unidos deixarão de existir por causa do aquecimento global, que acarreta no aquecimento dos mares e sucessivamente em Tsunamis e maremotos que inundam essas cidades a tal ponto que ficam inabitáveis. As pessoas precisam fazer alguma coisa.



Se as pessoas não se preocuparem com o meio ambiente, não se importarão se os países cumprem ou não as metas estabelecidas. Se os cidadãos se preocupassem, essas metas seriam mais cumpridas. Com pressão popular, as nações se veriam obrigadas a cumprirem os objetivos estabelecidos nessas conferências. Pressionar um país poderosíssimo como os Estados Unidos, por exemplo, para que cumpra as metas com mais rigor, só é possível, em geral, para a sua população. Outras Nações tem bem menor impacto ao pressionar os Estados Unidos a cumprirem uma meta ambiental do que a população estadunidense. 

*

O supracitado torna evidente que, mesmo que o Brasil siga à risca as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, pouca coisa mudará. O Brasil tem até 2030 para acabar com o desmatamento ilegal! Isso é tempo demais! Até lá, vai haver muito desmatamento. As metas e os objetivos para o Brasil precisam ser repensados urgentemente. Embora seja um país em desenvolvimento, as metas estabelecidas para o nosso país são insuficientes. Precisamos criar e executar metas mais rigorosas e com prazos menores em prol de um Brasil menos desmatado e menos poluído.